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Ateliê Julia Krantz

Desenho de Julia Krantz

13 de maio de 2020

Desenho

Formas do mundo. A natureza entrelaçada, emaranhada, cerzida nas entranhas da Terra, aflora sobre a superfície em arabescos complexos, biomórficos, que se ordenam segundo critérios que o intelecto humano não alcança, mas que ao observador atento se derramam em harmonia, beleza e força.

Na retina daquele que se propõe abraçar o que puder dessa explosão (silenciosa ou não) de estímulos visuais, se condensam a luz e a sombra do mundo. O desenho então sucede mais uma vez, nesse passeio que faz do objeto ao olho, e de volta ao objeto. A percepção se estende aos outros sentidos, percorre o tato, o olfato, o som que se ouve, adentra esse novo universo único, se dissolve, se mistura à corrente sanguínea, se expande nos pulmões, comove ao chegar no coração. Terceiro desenho.

O retorno é certo, impreciso, suave ou intenso, mas absolutamente permeado por todas as sensações impregnadas ao longo da jornada metabólica pelos órgãos internos do ser. Nesse momento o desenho tem a chance de se manifestar pela quarta vez, nas teclas pressionadas ao piano, no som emitido pela boca, nos passos que traçam um novo percurso, no entalhe da goiva sobre a madeira, nas mãos que manipulam um pedaço de argila, nos dedos que movimentam o lápis sobre uma folha de papel.

 

Julia Krantz

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2 Comments
  1. 13 de maio de 2020

    Ana Maria de Niemeyer

    Belo texto, como sempre!!!

  2. 22 de maio de 2020

    Ana Maria de Niemeyer

    Maravilhoso este texto, Júlia, querida. Só hoje acessei. Parabéns.

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